Resenha: “Reflexões acerca da amamentação - Uma experiência na UTIN”
BATTIKHA, C. E. Reflexões acerca da amamentação - Uma
experiência na UTIN
Ethel
Cukierkorn Battikha é bacharel em Psicologia, pela Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (1984), mestre em Pediatria e Ciências Aplicadas à
Pediatria, pela Universidade Federal de São Paulo (2003), e doutora em
Pediatria e Ciências Aplicadas à Pediatria, pela Universidade Federal de São
Paulo (2011). A referida autora tem atuado na área de Psicologia, com ênfase em
uma abordagem psicanalítica, seus trabalhos analisam, principalmente, os
seguintes temas: constituição do vínculo mãe-bebê, psicanalise, intervenção
precoce na UTIN, humanização e terapia intensiva neonatal.
O
texto resenhado é intitulado “Reflexões acerca da amamentação - Uma experiência
na UTIN” e trata-se de um capítulo do livro “Ética na atenção ao bebê:
Psianálise, Saúde, Educação”.
Ressalta-se que o texto não encontra-se dividido em seções ou itens.
De
uma maneira geral, Battikha, por meio de um enfoque psicanalítico, analisa o
aleitamento materno destacando as implicações psicológicas desse processo para
a mãe e o bebê. Para isso, a autora para discorrer sobre a relação mãe-bebê,
tendo como recorte a amamentação, analisa sua experiência, enquanto
psicanalista, na UTIN.
O
primeiro relato analisado no texto é de uma mãe que não pode amamentar seu
filho porque esse nasceu prematuro e, por causa de uma perfuração intestinal, teve
que passar por uma cirurgia. Conforme mencionado no texto, a mãe queria
amamentar seu bebê, porém por causa dos citados problemas de saúde, o
aleitamento não era possível. Em virtude dessa situação, a mãe sentia-se
incompleta, incapaz e culpada, ou seja, ela se identificava com o seu filho,
porém não conseguia satisfazer suas necessidades tanto em relação à
alimentação, quanto em relação aos aspectos psicológicos que influenciam o
desenvolvimento da subjetividade do bebê.
O
segundo relato era de uma mãe que o bebê tinha nascido com uma cardiopatia.
Essa mãe queria amamentar seu filho, porém não conseguia tirar o leite para a
criança. Ao examinarmos a sua fala, percebe-se o sentimento de impotência por
não conseguir amamentar seu filho, ou seja, por não conseguir garantir a
assistência orgânica e psicológica ao seu bebê.
O terceiro relato era de uma mãe de
um bebê prematuro que o leite secou e, por esse motivo, ela não conseguiu
amamentar seu filho. Nesse caso, também se percebe a angustia de mãe ao não
poder amamentar seu filho.
O quarto relato é de uma mãe que se
recusava a amamentar sua filha. Conforme ressalta a autora, a mãe não
reconhecia afetivamente sua filha e não queria criar nenhum vínculo com a
criança. Esse relato demonstra como a amamentação não se resume apenas a um
processo orgânico, pelo contrário, o aleitamento materno cria laços e sua
ausência acaba por causar um afastamento entre a mãe e o bebê; algo que a mãe
em questão desejava.
O quinto relato é de uma mãe que
amamentava seu bebê, porém seu olhar era fixo na janela e não havia contato
visual com a criança. Esse relato destaca como apenas a amamentação, enquanto
processo orgânico, não garante a criação do vínculo entre mãe e bebê. Dessa
forma, constata-se que na amamentação a interação mãe-bebê é tão importante
para a criança, quanto a alimentação em si.
Por fim, o sexto relato era de uma
mãe que tinha muita dificuldade em alimentar o seu bebê prematuro. Nesse caso, a
a ressalta que conversou com a referida mãe sobre o medo dela em ter uma maior
intimidade com o seu bebê. A autora conclui, a partir desse caso, que muitas
mães ficam angustiadas e em dúvida sobre a eficácia do seu leite para a
nutrição do bebê, ou seja, não se acham capazes de suprir tanto as necessidades
orgânicas quanto psicológicas dos filhos.
A
leitura da obra em questão contribui para que o leitor possa compreender a
amamentação como um processo complexo que, além da importância nutricional e
imunológica, contribui para o desenvolvimento da subjetividade do bebê e para a
criação de um vínculo com a mãe. A partir dessa leitura, pude concluir que,
durante a amamentação, a mãe se identifica com o bebê colocando-se no lugar
dele, adaptando-se às suas necessidades e procurando satisfazê-las. Portanto,
além de prover o alimento necessário para a satisfação da fome do seu filho
(necessidade biológica), a interação com a mãe durante o aleitamento materno
propicia ao bebê o desenvolvimento de sua subjetividade. Nesse sentido, a mãe
também se sente completa e realizada ao suprir as necessidades biológicas e
afetivas do seu bebê.
Conclui-se que o
texto de Battikha pressupõe conhecimentos prévios em psicanálise para ser
completamente compreendido, tendo em vista que os conceitos de humanização e
subjetividade são apresentados de maneira muito superficial. Entretanto, ressalta-se
que, como análise é “fundamentada” nos relatos das pacientes, a leitura, de
maneira geral, é muito “fluída” e os principais apontamentos são bem acessíveis
ao público em geral.
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